sábado, 17 de agosto de 2013

"Alguns Nutricionistas devem estar Loucos"

O texto não é meu, mas de uma nutricionista, Ana Filipa Baião, e acho bastante pertinente para esta altura do ano, em que proliferam as dietas "flash" nada saudáveis para o organismo.

Já começa a ser habitual por esta altura do ano, com o mercúrio a subir e a roupa a diminuir, surgirem nas prateleiras de livrarias, de centros comerciais, de hiper e supermercados, de lojas de conveniência e, até, mais recentemente em revistas semanais, livros e fascículos com promessas de perda de peso rápida e sem sacrifícios.

Saem como pipocas novos livros, novos autores, nutricionistas, investigadores, com a chave para um emagrecimento rápido e sem se abdicar dos alimentos que mais gostamos, que por consequente são também os mais calóricos, como os gelados, os hambúrgueres, as batatas fritas, entre outros.

Avaliando a prevalência de obesidade no nosso país é esperado e tal qual como acontece em outros países que apresentam uma taxa de prevalência de excesso de peso /obesidade superior a 50% da população, que nesta altura do ano com o desejo na perda de peso mais forte se aceitem propostas de emagrecimento rápido.

Neste último ano temos assistido, de forma passiva, à publicação de livros de sugestões de emagrecimento que do ponto de vista nutricional nos dão que pensar.

As dietas proteinadas, assim como novos conceitos de emagrecimento rápido com jejuns prolongados, são cada vez mais aceites. Estas dietas foram importadas de Países como a América do Norte e até mesmo França. São dietas com resultados rápidos, de baixo valor calórico e de baixo índice glicémico, mas que obrigam a uma prescrição, caso a caso e, a constante vigilância médica/ nutricional.
Mas, até que ponto estamos a salvaguardar a saúde do individuo que decide, sem vigilância médica, seguir um plano proteinado? Será correto publicar um livro com sugestão proteinada para perda de peso, sabendo que para o comum leitor esta pode ser uma via aliciante para a perda de peso rápida, sem se avaliar o seu perfil clínico? Estão referidas todas as situações clínicas em que não se pode seguir um plano proteinado? E este tipo de plano pode ser seguido durante quanto tempo?

As dietas proteinadas, que recorrem a alimentos convencionais, apresentam uma composição em mais de 50% de produtos de origem animal, como fiambres, produtos de charcutaria, queijos, carnes e peixes, ovos, que são também produtos ricos em gordura monossaturada e colesterol. Haverá vantagem para o indivíduo promover uma perda de peso, mas aumentar a sua ingestão diária em alimentos ricos em gordura, colocando em risco a sua saúde cardiovascular. E que manutenção de perda de peso se consegue com este individuo?

Parece-me, enquanto nutricionista, que o papel deste tipo de livros é apenas motivar, embora pela ignorância e desconhecimento do risco associado, para a perda de peso, sem garantir resultados de emagrecimento saudável e de comportamentos alimentares mais saudáveis e preventores de doença. Mas, apresentando uma venda livre, por se tratar de um livro, qualquer individuo adulto ou adolescente, obeso, cardíaco, diabético, pode por iniciativa própria, sem supervisão e responsabilização médica/ nutricional, assumir este padrão alimentar colocando, em alguns casos, a sua saúde em risco. 

Há pelo menos 10 anos atrás, a população americana manifestou-se contra uma cadeia de alimentação fast-food, tentando responsabilizar esta pelo grau de doença dos seus consumidores. Isto porque a investigação exigida na altura assumiu que determinados tipos de doença, como a diabetes, a obesidade, hipertensão e até mesmo alguns carcinomas estavam relacionados com o consumo destes alimentos. A população lesada acabou por perder contra a cadeia de restauração fast-food, isto porque o consumidor é livre de optar/ decidir e responsável pelos seus atos. A cadeia fast-food defendeu-se, apesar de reconhecer que o padrão alimentar está na génese de diversas doenças, e, por isso mesmo tenta a cada dia oferecer hipóteses mais saudáveis de alimentação rápida, mas que não podia ser responsabilizada pela escolha do consumidor final.

Com este tipo de oferta livre, na área do emagrecimento, verifica-se a mesma situação. O emagrecimento é conseguido, não é saudável, pode afectar a saúde do individuo, há um consumo excessivo de gorduras saturadas, colesterol, sal, nitritos e nitratos. Há cetogénese que não é vigiada. Há alteração de várias vias metabólicas. Há alteração do funcionamento, essencialmente, do órgão hepático e aparelho renal.

Haverá vantagens para o seguidor deste tipo de dietas quando estamos num País de elevada riqueza e variedade alimentar. Como é trabalhada a manutenção de peso nestes casos?
Um ano após a Candidatura Portuguesa da Dieta Mediterrânica a Património Cultural e Imaterial da Humanidade da UNESCO, estes novos conceitos de emagrecimento dão que pensar.



1 comentário:

  1. Não podia estar mais de acordo. Enquanto as pessoas que têm uns kilinhos a mais (como eu) nao perceberem que só com exercicio fisico e uma alimentação saudável, variada e equilibrada é que vão perder peso, esses livros vão continuar a ter compradores.
    Falo por experiência própria, que em tempos também os comprei e a única coisa que ganhei foi andar a passar fome e ganhar todos e mais kg.
    Um beijinho =)

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